quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Embrioquímica

Tabagismo, álcool e drogas na gestação

            O feto necessita de substratos para crescer e produzir energia. Gases e nutrientes passam livremente pela membrana placentária e chegam ao feto. A glicose é a fonte principal de energia para o metabolismo e crescimento do feto; os aminoácidos também são necessários. Estas substâncias saem do sangue materno passam pela membrana placentária e chegam ao feto. A insulina, necessária para o metabolismo da glicose, é secretada pelo pâncreas fetal; nenhuma quantidade significativa de insulina materna chega ao feto, pois a membrana placentária é relativamente impermeável a este hormônio. Acredita-se que a insulina, fatores de crescimento semelhantes à insulina, hormônio de crescimento humano e alguns polipeptídeos pequenos estimulem o crescimento fetal.
     Muitos fatores podem influenciar o crescimento pré natal: maternos, fetais e ambientais. Em geral, fatores que atuam durante toda a gravidez, como o tabagismo e o consumo de álcool, tendem a fazer com que as crianças tenham IUGR ou sejam pequenas para a idade gestacional (PIG), enquanto fatores que atuam durante o último trimestre, como desnutrição materna, geralmente fazem com que elas tenham peso reduzido, mas comprimimento e tamanho da cabeça normais. Os termos IUGR e PIG são relacionados, mas não sinônimos. IUGR se refere a um processo que causa uma redução no padrão esperado de crescimento fetal, assim como o potencial de crescimento fetal. PIG se refere a um recém-nascido cujo peso de nascimento é menor do que um valor de corte predeterminado para uma idade gestacional particular. Sabe-se que desnutrição materna grave resultante de dieta de má qualidade causa uma redução fetal. 



           O tabagismo constitui uma causa bem estabelecida de IUGR. A velocidade do crescimento de fetos de mães que fumam cigarros é menor que a normal durante as últimas 6 a 8 semanas de gravidez. Em média, o peso ao nascimento de crianças cujas mães fumaram muito durante a gravidez é 200g menor que o normal, e a morbidade perinatal é maior quando não estão disponíveis cuidados médicos adequados. O efeito do tabagismo materno é maior sobre fetos cujas mães também têm uma nutrição inadequada. Provavelmente, ocorre um efeito aditivo do fumo excessivo com a dieta de má qualidade.




           Filhos de mães alcoólatras frequentemente apresentam IUGR como parte da síndrome do alcoolismo fetal. Do mesmo modo, o uso de maconha e de outras drogas ilícitas pode causar IUGR e outras complicações obstétricas.

          

            

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Embrioquímica

Eritroblastose Fetal


            A eritroblastose fetal, também denominada doença de Rhesus, doença hemolítica por incompatibilidade Rh ou doença hemolítica do recém-nascido, surge quando uma mãe Rh- que já tenha gestado um filho Rh+ (ou que já tenha entrado em contato com sangue Rh+, durante uma transfusão sanguínea inadequada) dá à luz uma criança com sangue Rh+.
       Ocorre quando uma mãe de Rh- que já tenha tido uma criança com Rh+ (ou que tenha tido contacto com sangue Rh+, numa transfusão de sangue que não tenha respeitado as regras devidas) dá à luz uma criança com Rh+. Depois do primeiro parto, ou da transfusão acidental, o sangue da mãe entra em contacto com o sangue do feto e cria anticorpos contra os antígenos presentes nas hemácias caracterizadas pelo Rh+
      Durante a segunda gravidez, esses anticorpos podem atravessar a placenta e provocar a hemólise do sangue da segunda criança. Esta reação nem sempre ocorre e é menos provável se a criança tiver os antigénos A ou B e a mãe não os tiver. Os anticorpos anti-Rh não existem naturalmente no sangue das pessoas, sendo fabricados apenas por indivíduos Rh-, quando estes recebem transfusões de sangue Rh+.Pessoas Rh+ nunca produzem anticorpos anti-Rh, pois se o fizessem provocariam a destruição de suas próprias hemácias




       No passado, a incompatibilidade podia resultar na morte da mãe ou do feto, sendo, também, uma causa importante de incapacidade a longo prazo - incluindo danos cerebrais e insuficiência hepática. A situação era tratada através da transfusão do sangue do bebê, caso este sobrevivesse, logo após o nascimento ou, mais raramente (e com alguma controvérsia) através de terapia fetal, como em 1963 - altura em que se realizou a primeira transfusão de sangue a um feto, em Salvador-Bahia
       Hoje, com 50 anos Raimundo é um adulto saudável, locutor de rádio. A transfusão foi um sucesso, apesar de a prática já não ser mais comum. Hoje pode-se tratar com alguns antissoros anti-Rh(+) (MatherganPartogamaRhophylac ou RhoGAM - esta última também designada por imunoglobulina anti-D, em referência ao antigénio D, o mais importante antigénio do factor Rh). Nesse caso, sempre que uma mãe tenha sangue RhD negativo (o D refere-se especificamente ao antigénio D - não aparece nas habituais análises para determinação do grupo sanguíneo), é importante saber o tipo sanguineo do pai. 



Embrioquímica

Gestação ectópica

            Normalmente a implantação do blastocisto ocorre no endométrio, na porção superior do corpo do útero, um pouco mais frequentemente na parede posterior do que na anterior. A implantação pode ser detectada por ultrassonografia e por dosagens de hCG por radioimunoensaio, altamente sensíveis, já no fim da segunda semana.
          Entretanto, os blastocistos podem se implantar fora do útero. Essas implantações resultam em gestações ectópicas; 95% a 98% das implantações ectópicas ocorrem na tuba uterina. Na maioria dos países, tem ocorrido um aumento da incidência de gravidez ectópica. A incidência de gravidez tubária varia de uma em 80 a uma em 250 gestações, dependendo do nível socioeconômico da população. Nos Estados Unidos, a incidência de gravidez ectópica é de aproximadamente 2% de todas as gestações, e ela é a principal causa de mortes maternas durante o primeiro trimestre.
         Uma mulher com gravidez tubária apresenta sinais de gravidez (p. exemplo, ausência de menstruação). Ela também pode apresentar dor abdominal e sensibilidade por causa da distensão da tuba uterina, sangramento anormal e irritação do peritônio pélvico (peritonite). 

              As gestações ectópicas produzem beta-hCG mais lentamente do que as gestações com implantação normal; consequentemente as dosagens podem dar resultados falso-negativos, quando realizadas muito cedo. A ultrassonografia endovaginal é muito útil na detecção inicial de gestações ectópicas.
    Há várias causas de gravidez tubária, mas elas estão frequentemente relacionadas com fatores que atrasam ou impedem o transporte para o útero do zigoto em clivagem. Danos nas trompas de Falópio é uma causa comum de gravidez ectópica. Um óvulo fertilizado pode ficar estacionado em uma área danificada de uma tuba e começar a crescer lá. As causas mais comuns de danos das trompas de Falópio que pode levar a uma gravidez ectópica incluem:
  • Tabagismo
  • Doença inflamatória pélvica, que pode surgir a partir de infecção por clamídia ou gonorreia
  • Inflamações e cicatrizes das trompas de falópio, decorrentes de uma condição médica ou cirurgia anterior
  • Gravidez ectópica anterior em uma trompa de Falópio
       As causas de uma gravidez ectópica não são claras em todos os casos. No entanto, as condições seguintes podem ter ligação com uma gravidez anormal:

  • Fatores hormonais
  • Anormalidades genéticas
  • Defeitos congênitos
  • Condições médicas que afetam a forma e condição das trompas de falópio e órgãos reprodutivos.

Fatores de risco


Todas as mulheres sexualmente ativas estão em algum risco de uma gravidez ectópica. No entanto, o risco pode aumentar se acompanhado de alguns fatores de risco. Veja

  • Gravidez ectópica anterior
  • Inflamação ou infecção das trompas de Falópio
  • Problemas de fertilidade
  • Trompas de Falópio com um formato incomum
  • Idade materna avançada de 35 anos ou mais
  • História de cirurgia pélvica, cirurgia abdominal, ou vários abortos
  • História de endometriose
  • Concepção auxiliada por medicamentos de fertilidade ou procedimentos
  • Tabagismo
  • História de DSTs
  • Uso inadequado do DIU. Se utilizado corretamente, o DIU deve impedir a gravidez. No entanto, se por algum motivo ela ocorrer, provavelmente será ectópica
  • Gravidez após cirurgia de laqueadura. Embora a gravidez após a ligadura tubária seja rara, se isso acontecer, é mais provável que seja ectópica.

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Embrioquímica


Mudanças hormonais na mãe


         Os ciclos reprodutivos femininos iniciam-se na puberdade e continuando-se normalmente através dos anos reprodutivos, as mulheres passam por ciclos reprodutivos mensais (ciclos sexuais), que envolvem atividade do hipotálamo do cérebro, da glândula hipófise, dos ovários, do útero, das tubas uterinas, da vagina e das glândulas mamárias. Esses ciclos mensais preparam o sistema reprodutivo para a gravidez.
       O hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) é sintetizado por células neurossecretoras no hipotálamo e é carreado pelo sistema porta-hipofisário até o lobo anterior da hipófise. O hormônio liberador de gonadotrofina estimula a liberação de dois hormônios produzidos por essa glândula, que agem nos ovários:
  • Hormônio folículo-estimulante(FSH), que estimula o desenvolvimento dos folículos ovarianos e a produção de estrogênio por suas células foliculares;
  • Hormônio luteinizante (LH), que atua como "disparador" da ovulação (liberação do ovócito secundário) e estimula as células foliculares e o corpo lúteo a produzir progesterona.
     Esses hormônios induzem também o crescimento do endométrio. Além disso, o FSH e o LH produzem mudanças cíclicas nos ovários - o ciclo ovariano - desenvolvimento dos folículos, ovulação e formação do corpo lúteo. Durante cada ciclo, o FSH promove o crescimento de vários folículos primordiais entre cinco e 12 folículos primários; entretanto, apenas um único folheto primário se desenvolve até se tornar folículo maduro e se rompe na superfície do ovário, liberando o seu ovócito.



















terça-feira, 7 de outubro de 2014

Embrioquímica

Introdução

      embriologia é a ciência que trabalha a formação dos órgãos e sistemas de um animal, a partir de uma célula . Faz parte da biologia do desenvolvimento. O desenvolvimento humano é um processo contínuo que se incia quando um ovócito (óvulo) de uma fêmea é fecundado por um espermatozoide de um macho. A divisão celular, migração celular, a morte celular programada, a diferenciação, o crescimento e o rearranjo celular transformam o ovócito fecundado, o zigoto, uma célula altamente especializada e totipotente, em um organismo humano multicelular. Embora a maior parte das mudanças no desenvolvimento se realizem durante os períodos embrionários e fetais, ocorrem mudanças importantes nos períodos posteriores do desenvolvimento: infância, adolescência e início da idade adulta. O desenvolvimento não termina ao nascimento. Depois dele, ocorrem mudanças importantes além do crescimento.
      


      A bioquímica é uma ciência que tem fundamental importância no estudo da embriologia. Isso, porque ela é capaz de analisar minuciosamente as mudanças bioquímicas que ocorrem com  a gestante e com o bebê durante o processo embriológico. Ela é capaz de analisar os riscos que uma mãe fumante ou alcoólatra pode trazer pro seu filho. Pode fazer uma análise das causas, sintomas e possíveis tratamentos da gravidez ectópica. Além disso, podemos analisar exames de gravidez, casos de eritroblastose fetal, eclâmpsia, distúrbios e sintomas neurológicos durante a gravidez... etc.
     Ao longo das postagens, discutiremos e analisaremos cada um dos tópicos supracitados. A bioquímica servirá como a base para a compreensão de estudos embriológicos daqui pra frente!